Nesse dia fatídico, olhou em volta e o tempo ganhou outro compasso, deixou de ser linear e passou a ser cíclico. Ela podia sentir o gosto, o cheiro e a textura da vida. Descobriu que era mais simples se acolhesse e acalentasse seus sonhos e pesadelos, sendo paciente consigo mesma. Afinal, era a única responsável pelo seu lar.
Já tinha dito tudo o que precisava dizer, sentido o que precisava sentir, doído o que precisava doer e ainda faltava. Os hífens, não à toa usados para criar espaço, estavam todos postos em seus devidos lugares. Ela não havia se mexido para inserir nenhum deles, mas era fato que estavam lá.
A sensação era aterrorizante e libertadora. O momento chegado era de sentir prazer nos rituais cotidianos e de criar espaço para apenas se balançar na rede fumando um cigarro de palha. Era uma delícia enfim existir inteira.
"Tem muita metade por aí se achando inteira e estragando tudo", pensava. Concluiu que para existir junto, só daria certo com todos jogando no campo das inteirezas mesmo. Pronto, era isso. Agora a porteira estava segura de novo.
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