segunda-feira, 30 de abril de 2018

A flor, a terra e o broto

Flor não sabia ser de outro jeito, só sabia amar muito, amar grande, amar pleno. E na sua ânsia de viver atropelava os tempos. Afinal, já que era amor, precisava ser agora.

Terra não sabia ser de outro jeito, só sabia não dizer. E na sua falta de habilidade ou querência em abrir espaço, criava pedras, paredes e muros. Afinal, precisava se manter seguro de si.

Terra escolheu não abrir espaço, esse era seu modo de funcionamento. Flor não podia mais esperar, nem se tratava mais de perdão, se tratava de amor mesmo. E amor, sabemos, é foda. 

Foi então que as gargalhadas deixaram de existir e restou o broto a ser regado, para a vida toda.